Sempre me apeguei ao passado. As vezes me dá uma certa vergonha ao saber que eu sei certas datas de fatos nada importantes. Como por exemplo o dia 26 de maio de 2004, o dia que descobri que gostava de uma menina da minha escola, ou o dia 26 de julho de 1999, quando eu saí do parquinho e fui fazer minha pré-escola em um colégio. Acho que todos nós temos esse tipo de cacoete engraçado com datas. Ou eu sou apenas um idiota que se recorda de coisas assim.
Na vida, é sempre mais fácil você colecionar objetos do que pessoas. Logicamente que comigo foi exatamente assim. Eu nunca fui adepto do ritual de queimar ou se livrar de livros e cadernos antigos de escola. Talvez eu seja um acumulador, talvez eu só tenha vontade de manter isso comigo.
Veja bem, houve tempos em que eu só tive apenas um amigo, eu disse um. Já quando eu era do ensino médio eu tinha alguns é verdade, mas a grande maioria deles foram amigos de um certo período da minha vida. Amigos que se perdem no tempo, digamos assim.
Eu sempre fui de valorizar minhas amizades, mas parece que isso não adiantou muito no entanto. Não que eu não tenha amigos hoje, mas eles são poucos e por vezes me deixam com uma impressão de que não posso contar com eles, o que é uma pena.
Dizem que o ser humano, é um ser que não sobrevive a não ser em bando. Talvez isso seja verdade, ou talvez não. Fato é, que eu não pude deixar de notar que a cada dia que passa eu me sinto cada vez mais sozinho. Eu mais costumo interagir comigo mesmo e quando tenho oportunidade vou interagir com outras pessoas. E isso não é exatamente um defeito, e sim a dificuldade que eu tenho de encontrar pessoas que se encaixem comigo, e quando isso acontece, não perdura por muito tempo.
E a cá estou com a minha rotina que tenho, interagir com as pessoas e me sentir sozinho. Receber abraços frios e voltar para casa na companhia da minha sombra. Sair com alguém e continuar se sentindo sozinho, como se você não estivesse lá, como se você quisesse estar em um outro lugar com alguém que realmente te entendesse.
Ah, talvez este mundo esteja louco. Talvez nós não conseguimos parar de conhecer gente errada o tempo todo na esperança de deixar de se sentir assim. Talvez, na busca de novos ares, e no êxito de encontrar novas amizades, a consequência seja nos tornarmos cada vez mais nossos, sem qualquer tipo de interferência.
Muitas vezes nem prestamos atenção, mas será que aquele jovem que está rodeado de amigos está de fato acompanhado ou está tão sozinho quanto os outros?
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